No âmbito da 5ª Reunião do Conselho Nacional e Abertura do Ano
Político 2023/2024 nos dias 27, 28 e 29 de Janeiro em Benguela, com um programa
organizado e uma ordem de trabalho bem difundida, o terceiro dia ficou marcado
com uma grande mensagem de ponderação e reflexão, passada pelo Presidente do
Partido, Filomeno Vieira Lopes que estendeu os agradecimentos aos convidados,
membros do BD, Conselheiros, com efusão ao povo de Benguela pelo
acolhimento para o tão saudoso acto de abertura do ano político.
Desejando ao povo angolano, por intermédio do povo de Benguela, um ano
de 2023 com visão no futuro, com esperança de que com a sua prestimosa
colaboração, 2023 seja o começo de uma transformação que registará 2027 como o
ano da vitória.
DISCURSO DO PRESIDENTE DO BD NA ABERTURA DO ANO POLÍTICO 2023
NOSSA VISÃO
Em 2027, Angola (não será!) é um país com alternância no
poder político, dando início a um processo democrático sólido, assente em
instituições apartidárias, livres da corrupção, numa cultura de respeito pela
diversidade e onde são lançadas as bases de uma economia próspera com serviços
públicos de qualidade e de acesso para todos. O estado é um agente central na
promoção responsável da inclusão, da justiça social e de oportunidades iguais
para um desenvolvimento sustentável.
NOSSA MISSÃO
É com esta visão que o Bloco Democrático visualiza o presente ano político, pois os valores de que somos investidos colocam em nós esta missão do partido da cidadania e da luta contra a pobreza, apoiando as lutas sociais, pelos direitos dos trabalhadores, das minorias e do desenvolvimento inclusivo e sustentável.
A missão do partido é promover o empoderamento da sociedade, tornar
as pessoas com a capacidade de exercer o poder que existe em cada uma delas, em
cada comunidade, num processo de despertar permanente da sociedade.
VALORIZANDO AS NOSSAS FORÇAS E VENCENDO AS FRAQUEZAS
Por isso, o BD como um todo, saberá utilizar as suas forças – a capacidade
de análise das situações, a vitalidade da democracia interna, a integridade, a
capacidade de valorizar a sociedade civil e as comunidades e sabendo articular
com elas. Mas também saberá superar as debilidades, aumentar a disciplina
interna, reforçar a audácia, cumprir escrupulosamente as suas tarefas e
disponibilizar-se mais ainda para a luta política, com a resiliência que nos
caracteriza vencendo “os rumos perdidos dos ventos trocados”, implantados pelo
partido da situação.
ONDE ESTÁ O MUNDO, A ÁFRICA E ANGOLA?
Mas em que mundo e em que Angola estamos de onde concebemos a nossa visão
de futuro?
O mundo
O actual momento internacional caracteriza-se como de “desigualdades
extremas no acesso e usufruto da riqueza global” e de perigo de uma “guerra
nuclear”, entre as grandes potências militares, depois da eclosão da guerra de
agressão da Rússia contra a Ucrânia que traduz a busca de uma alteração da ordem
internacional unipolar, posterior à queda do Muro de Berlim e a desagregação da
União Soviética, que é a expressão máxima da luta feroz pela hegemonia, no
sistema capitalista actual.
Em suma, neste mundo em que a pobreza cresce e as desigualdades se aprofundam,
em sentido contrário ao crescimento das grandes fortunas globais, em que o
produtivismo descontrolado degrada cada vez mais, e de forma irreversível, o
meio ambiente, assiste-se ao retorno das ideologias e práticas fascistas
guerreiras, à uma crise da identidade democrática, à uma grande polarização
política, a um desafio ambiental preocupante, pelos efeitos fortemente
perversos e prejudiciais das alterações climáticas que já se verificam e a um
cada vez maior sentimento de autodestruição que aumenta o risco de uma guerra
generalizada, com recurso a armas nucleares.
A África
Enquanto isso, a maior parte dos países africanos continuam a manter
regimes autoritários, com a manutenção do poder numa minoria, mantendo uma
política de reprodução do subdesenvolvimento, jogando o papel de simples
provedores de matérias-primas, nomeadamente de minerais estratégicos para o
desenvolvimento das novas tecnologias e se afundam em vários conflitos armados,
nomeadamente na África austral e central, alimentados pela fragmentação social,
provocada pelas gritantes carências em serviços básicos, falta de alimentação,
acesso à água potável, à assistência médico-sanitária e à manipulação de
fundamentalismos religiosos.
Nossa Angola
Nesse contexto, Angola não tem um pensamento estratégico e uma linha
coerente de defesa da Paz e de desenvolvimento económico e social. Apesar da
posição privilegiada geoestratégica e das imensas riquezas de que o país
dispõe, não há investimentos estruturais que permitam acabar com a monoprodução
do petróleo, promover a diversificação económica e o bem-estar das populações.
O poder insiste em governar em ditadura, reprimindo todas as iniciativas de
democratização, não busca consensos nacionais sobre os grandes problemas
mundiais e nacionais, não promove a integração do país nas duas zonas
económicas regionais (SADC e CEEAC) a que pertence, não se interessa pelo
desenvolvimento do continente e não participa do comércio interafricano.
Apresentando-se como potência militar e diplomática regional que regula
conflitos militares, em alguns países dos Grandes Lagos, em alinhamento com os
interesses das grandes potências internacionais que a troco da facilitação
económica e militar, dão suporte ao regime autoritário do Partido-Estado que se
reproduz pela fraude eleitoral e pela repressão das liberdades fundamentais dos
cidadãos, não permitindo a Alternância de poder que é uma aspiração popular.
A governação macroeconómica está sob tutela do FMI e BM, sem deixar de
estar refém dos interesses do grupo de poder que promove a rapina da riqueza
nacional, configurando novas formas de corrupção. O discurso oficial de combate
à corrupção, coloca o neoliberalismo económico ao serviço da predação de Estado
e obriga os mais pobres a pagar a factura da errática política de endividamento
interno e externo.
AS ELEIÇÕES NO PAÍS E AS AUTARQUIAS
A recente derrota eleitoral efectiva do partido da situação (que em verdade funciona como partido único) tornou inequívoca a escolha estratégica do povo, por formas de governação democrática e descentralizada, que passa pela implementação imediata e em todo país das autarquias municipais. Em verdade, a democratização e descentralização do país, mais do que uma aspiração popular legítima, que está consagrada na Constituição da República, é uma necessidade nacional de desenvolvimento.
A manutenção do poder tem justificado
todos os meios do Estado predador, desde a fraude até as manobras de divisão dos
partidos da oposição e à opressão do poder
junta-se, agora, o “Estado-bandido” com sinais de envolvimento de
agentes dos três poderes em redes de narcotráfico e tráfico de seres humanos.
NOSSO PROGRAMA DE LUTA PARA 2023
1.
A Alternância
do poder como objectivo estratégico do BD, implica também a alternativa para uma Nova
Política visando a conqista dum Estado Social de Direito e a
Democracia Participativa;
2.
O BD vai fazer uma denúncia
permanente da nova corrupção, protagonizada pelo grupo de poder actual;
3.
O BD vai ter como reivindicação
constante a implementação das Autarquias Municipais – objectivo
táctico central - reativando
a discussão do seu pacote legislativo, pela proposição de uma releitura do seu
Projecto de Lei Orgânica das Autarquias Municipais;
4.
O BD vai reforçar a sua aliança
estratégica com as organizações da sociedade civil e do movimento
reivindicativo nacional, através de um diálogo permanente com os sindicatos;
5.
O BD vai promover lutas
locais pela melhoria de condições de vida das populações, bem como dedicar
uma atenção particular as Pessoas com Deficiência e às crianças com
necessidades educativas especiais;
6.
O BD deve procurar reforçar
a sua aliança política no seio da unidade patriótica – FPU - e a sua
integração nas correntes progressivas internacionais para aumentar a sua
influência política no país e no Mundo.
LIBERDADE, MODERNIDADE, CIDADANIA
Benguela, 29 de Janeiro de 2023

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